04 de fevereiro de 2026

Francisco Beltrâo

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Paraná

PF deflagra Operação Saleiro contra crimes ambientais e tráfico na fronteira do PR com SC

Ação ocorreu em três cidades e mira grupo suspeito de caça ilegal, rinhas de galo, tráfico de drogas e comércio de armas na região Oeste do Paraná.

PF deflagra Operação Saleiro contra crimes ambientais e tráfico na fronteira do PR com SC
© Divulgação/PF

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Saleiro para combater crimes ambientais e o tráfico de drogas e armas na região de fronteira entre o Oeste do Paraná e Santa Catarina. A ação ocorreu simultaneamente nos municípios de Dionísio Cerqueira (SC), Barracão (PR) e Céu Azul (PR), com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal de Foz do Iguaçu.

Os alvos foram endereços residenciais de suspeitos identificados ao longo das investigações, que tiveram início em julho de 2024. Na ocasião, um homem foi preso em flagrante por equipes do ICMBio e da Polícia Federal dentro do Parque Nacional do Iguaçu, transportando alimentos usados para atrair animais silvestres para pontos conhecidos como “saleiros”, locais utilizados para facilitar a caça ilegal.

A partir da análise de dados telemáticos e outros levantamentos, os investigadores constataram que a atuação do grupo era mais ampla e organizada do que inicialmente se imaginava. As apurações indicam a prática recorrente de crimes contra a fauna, incluindo o abate de animais silvestres como catetos e cutias dentro de área de conservação federal, além da promoção de rinhas de galo e da criação e treinamento de aves para combates com apostas, inclusive com possíveis conexões internacionais.

No decorrer das investigações, também surgiram indícios de envolvimento com o tráfico de drogas, especialmente negociações para venda e transporte de maconha, e com o comércio ilegal e a posse de armas de fogo. Entre os armamentos estariam espingardas, rifles e pistolas, utilizados tanto na caça quanto para a proteção das atividades ilícitas do grupo.

Com base nos crimes apurados, os investigados poderão responder por diferentes delitos previstos na legislação brasileira. A caça ilegal em unidade de conservação e os maus-tratos a animais configuram crimes ambientais, com previsão de detenção e multa. Já o comércio ilegal de armas, conforme o Estatuto do Desarmamento, pode resultar em penas de reclusão que chegam a 12 anos, enquanto o tráfico de drogas, previsto na Lei Antidrogas, tem pena de 5 a 15 anos de prisão. A apuração também considera a possibilidade de associação criminosa, o que pode agravar ainda mais as penalidades.

Todo o material apreendido durante a operação será periciado e analisado, com o objetivo de fortalecer as provas já reunidas e identificar a extensão completa das atividades do grupo investigado na região de fronteira.

/Luiz Felipe Max - Foto: Divulgação/PF

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